O fim da Terceira Academia do Palmeiras não aconteceu num único jogo, nem numa derrota específica. Foi um processo lento, silencioso e, por isso mesmo, doloroso.
O Início
Iniciada em 2020, com a chegada de Abel Ferreira, a Terceira Academia nasceu em meio ao caos da pandemia e rapidamente se transformou em um dos ciclos mais vencedores da história do clube. Um time competitivo, intenso, mentalmente forte e absolutamente obcecado por resultado. Vieram Libertadores, Brasileiros, Copas e uma identidade clara: solidez defensiva, eficiência máxima e um espírito coletivo raro no futebol brasileiro.
O Meio
Entre 2020 e 2023, o Palmeiras não apenas venceu — impôs respeito. O elenco era curto, mas cirúrgico. A comissão técnica extraiu o auge de jogadores experientes, lapidou jovens da base e construiu uma máquina competitiva que sabia sofrer, matar o jogo e levantar taças.
Mas todo ciclo tem um preço.
A partir de 2023, o que se viu foi o início do desmonte gradual do elenco vencedor. Peças-chave saíram, algumas por vendas inevitáveis, outras por desgaste físico, mental ou simples fim de ciclo. As reposições não mantiveram o mesmo nível de impacto imediato. A espinha dorsal que sustentava o modelo começou a ruir.
Abel permaneceu. A ideia permaneceu. A exigência permaneceu.
Mas o elenco já não era o mesmo.
O Fim
Entre 2024 e 2025, o Palmeiras entrou num período raro para o clube: dois anos sem títulos. Não foi um time apático — foi um time competitivo, muitas vezes protagonista, mas sem a contundência, a fome e a superioridade que marcaram a Terceira Academia. O “ganhar sempre” deu lugar ao “quase”. O detalhe, antes aliado, passou a ser inimigo.
O fim da Terceira Academia não simboliza fracasso. Pelo contrário: simboliza o peso de um ciclo tão vencedor que se tornou difícil de sustentar. Ela terminou não por falta de comando, mas pela impossibilidade de eternizar um elenco e um nível de performance num futebol cada vez mais voraz.
Quando as taças pararam de chegar e o elenco campeão já não estava mais inteiro, ficou claro:
a Terceira Academia havia cumprido sua missão.
E como toda grande era do Palmeiras, ela não acabou em silêncio — ficou marcada na história como um dos períodos mais dominantes, organizados e vitoriosos que o clube já viveu.





